Dados alarmantes revelam a urgência de mobilizações permanentes para proteger nossas crianças e adolescentes da violência que acontece dentro de casa


Publicado em: 16 de janeiro de 2026
Tempo de leitura: 12 minutos


Uma Realidade Que Não Pode Mais Ser Ignorada

O Brasil vive uma crise silenciosa e devastadora: a violência doméstica contra meninas e adolescentes atinge números recordes e exige uma resposta urgente da sociedade. Os dados mais recentes apontam para uma realidade que desafia nossa capacidade de proteção às populações mais vulneráveis e evidenciam a necessidade de mobilizações permanentes para romper o ciclo de violações que ocorrem, na maioria das vezes, dentro do ambiente que deveria ser o mais seguro: o lar.


Os Números da Violência

Violência Sexual: Uma Epidemia Invisível

Em 2024, o Brasil registrou 87.545 casos de estupro e estupro de vulnerável, uma média de mais de 240 casos por dia – o maior número já registrado na história do país. Esses números representam apenas a ponta do iceberg, já que sabemos que a subnotificação é enorme quando se trata de violência intrafamiliar.

O perfil das vítimas revela padrões preocupantes:

  • 61% das vítimas tinham até 13 anos de idade ??????
  • 88% são meninas ??????
  • 56% são negras ??????

Esses dados evidenciam que a violência sexual contra crianças e adolescentes possui marcadores claros de gênero e raça, atingindo especialmente meninas negras em situação de maior vulnerabilidade social.

Onde e Por Quem a Violência É Cometida

Um dos aspectos mais perturbadores dessa realidade é o local onde as violências ocorrem e a relação entre vítima e agressor:

  • 61,7% dos casos acontecem dentro da própria residência Plan
  • Em 84,7% das situações, o agressor é um familiar ou alguém próximo da vítima Plan
  • Em 45% dos casos, o agressor era um familiar ??????

Quando se trata de crianças mais novas, as mortes de meninas e meninos de até nove anos costumam ocorrer dentro de casa (em cerca de 50% dos casos) e ser cometidos por pessoas conhecidas da criança (em 82,1% dos casos, no ano de 2023) UNICEF.

A Escalada da Violência

A violência contra crianças e adolescentes não se limita ao abuso sexual. Outras formas de agressão também apresentam crescimento alarmante:

  • Entre 2022 e 2023, os casos de violência física contra crianças de 0 a 4 anos registraram um aumento alarmante de 52,2% Fundacaomariacecilia
  • 67,8% dos casos de violências não letais ocorreram onde a criança deveria estar mais segura: dentro de casa Fundacaomariacecilia
  • Nos últimos três anos, 165 mil meninas e meninos de até 19 anos foram vítimas de violência sexual no País UNICEF

Denúncias em Crescimento

Somente em 2024, o canal do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania recebeu mais de 657 mil queixas, um aumento de 22,6% em relação ao ano anterior Plan. Dados levantados pela Fundação Abrinq apontam que, a cada 24 horas, o Brasil registrou 124 denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes em 2022 Brasil de Fato.

Um dado particularmente preocupante: quase 40% das vítimas que buscaram atendimento voltam com relatos de novos episódios. Duas em cada cinco registros são de vítimas que já passaram pela violência anteriormente Brasil de Fato, evidenciando a dificuldade de romper o ciclo de violações.


Por Que Mobilizações São Essenciais

Romper o Pacto de Silêncio

A violência doméstica contra meninas e adolescentes permanece envolta em um manto de silêncio. Vítimas têm medo de denunciar, famílias encobrem os abusos, e a sociedade, muitas vezes, prefere não enxergar o que está diante de seus olhos. Isto mostra uma relação com um contexto de maus-tratos e de violência doméstica, praticada contra essas crianças pelas pessoas mais próximas a elas UNICEF.

As mobilizações sociais são fundamentais para:

  • Dar voz às vítimas e criar espaços seguros de acolhimento
  • Educar a sociedade sobre os sinais de violência e como agir
  • Desconstruir a cultura do silêncio que protege agressores
  • Desnaturalizar a violência que é disfarçada como “educação” ou “assunto de família”

Transformar a Cultura de Violência

“Infelizmente, a violência sexual ainda é uma triste realidade para milhares de crianças no Brasil. A maioria dos casos acontece dentro de casa, praticada por pessoas conhecidas da vítima. É urgente enfrentarmos esse ciclo de violências com informação, políticas públicas intersetoriais, apoio às vítimas e campanhas contínuas de prevenção” Plan, afirma Gezyka Silveira, coordenadora de Proteção e Desenvolvimento Infantil da Plan International Brasil.

A prevenção da violência exige uma mudança cultural profunda que só pode acontecer através da educação continuada e da conscientização permanente da sociedade.

Pressionar Por Políticas Públicas Efetivas

“Os dados do anuário apontam que essa violência é fortemente influenciada por fatores sociais como raça, classe e gênero. É urgente o Estado Brasileiro investir em políticas públicas afirmativas e priorizar crianças e adolescentes na agenda pública, especialmente no orçamento” ??????, alerta a consultora do CEDECA.

“Nossas crianças estão desprotegidas e precisamos trabalhar muito para garantir que o mínimo de direitos seja garantido a elas” Brasil de Fato, afirma Michelly Antunes, da Fundação Abrinq.

As mobilizações são instrumentos de pressão para que o poder público:

  • Implemente efetivamente as leis existentes
  • Destine recursos adequados para proteção
  • Garanta punição aos agressores
  • Amplie e fortaleça redes de atendimento

Campanhas e Mobilizações Nacionais

Maio Laranja: O Mês da Proteção Infantil

O Dia 18 de maio, instituído por lei federal em 2000 como o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes Plan, é a principal data de mobilização nacional sobre o tema.

A data remete ao caso brutal da menina Araceli, de apenas 8 anos, assassinada após sofrer violência sexual no Espírito Santo, em 1973, e simboliza a luta pelos direitos de meninas e meninos em todo o país Plan.

A Lei institui a campanha Maio Laranja, a ser realizada no mês de maio de cada ano, em todo o território nacional, com ações efetivas de combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes UNICEF.

Ações realizadas durante o Maio Laranja:

  • Seminários e palestras educativas em escolas e comunidades
  • Caminhadas e mobilizações públicas
  • Campanhas massivas nas redes sociais
  • Distribuição de material informativo
  • Capacitação de profissionais da rede de proteção
  • Mutirões de atendimento e orientação

“Faça Bonito”: Proteção É Para Todos

A campanha nacional “Faça Bonito” mobiliza anualmente diversos setores da sociedade com o objetivo de sensibilizar e convocar toda a população para participar da proteção de crianças e adolescentes. O slogan incentiva que cada cidadão faça sua parte na construção de uma infância livre de violências.

“Quebre o Ciclo da Violência”: Mobilização Governamental e Social

Sob o mote “Quebre o ciclo da violência”, a campanha conjunta do governo federal e da sociedade civil conta com peças digitais para as redes sociais, publicação de videomanifesto, spot para rádios, reportagens especiais com dados inéditos e anúncio de políticas públicas GOV.BR.

Por meio da mensagem “Seja a pessoa que ouve, acolhe e denuncia”, a campanha convocará toda a sociedade civil a não se silenciar diante dos sinais emitidos por crianças e adolescentes que sofrem com violações físicas e psíquicas diante do abuso sexual GOV.BR.

Programa “Crescer Sem Violência”

Iniciativa de alcance nacional que atua em diferentes frentes:

  • Capacitação de educadores e profissionais da rede de proteção
  • Distribuição gratuita de material pedagógico
  • Oficinas de sensibilização em todos os estados brasileiros
  • Produção de séries audiovisuais educativas
  • Formação de multiplicadores em comunidades

Instrumentos de Combate e Proteção

Marco Legal: Lei Henry Borel (Lei 14.344/2022)

Cria mecanismos para a prevenção e o enfrentamento da violência doméstica e familiar contra a criança e o adolescente UNICEF, representando um avanço significativo na legislação brasileira.

Principais dispositivos da Lei:

A União, o Distrito Federal, os Estados e os Municípios poderão criar e promover, para a criança e o adolescente em situação de violência doméstica e familiar: centros de atendimento integral e multidisciplinar; espaços para acolhimento familiar e institucional e programas de apadrinhamento; delegacias, núcleos de defensoria pública, serviços de saúde e centros de perícia médico-legal especializados; programas e campanhas de enfrentamento da violência doméstica e familiar; centros de educação e de reabilitação para os agressores Planalto.

Além disso, fica instituído, em todo o território nacional, o dia 3 de maio de cada ano como Dia Nacional de Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a Criança e o Adolescente, em homenagem ao menino Henry Borel Planalto.

Canais de Denúncia: Quebre o Silêncio

Disque 100 (Disque Direitos Humanos)

O principal canal nacional de denúncias funciona 24 horas por dia, nos sete dias da semana GOV.BR, garantindo:

  • Ligação gratuita de qualquer telefone
  • Atendimento gratuito e anônimo Plan
  • Atendimento via WhatsApp: (61) 99611-0100
  • Telegram
  • Atendimento em Língua Brasileira de Sinais (Libras)

Outros Canais:

  • Conselho Tutelar: Presente em todos os municípios brasileiros
  • Delegacias Especializadas: Delegacias de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA)
  • Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos: Denúncia online pelo site
  • Aplicativo Direitos Humanos BR

Estratégias de Prevenção

Educação e Capacitação Como Ferramentas de Proteção

Programas de intervenção centrados na parentalidade ajudam a prevenir a violência contra crianças na medida em que aumentam a compreensão dos cuidadores sobre o desenvolvimento infantil, diminuem o estresse parental e melhoram as práticas parentais com estratégias de disciplina positiva NCPI.

A proposta prevê a capacitação de policiais militares no atendimento humanizado e inclusivo da criança e do adolescente em situação de violência, bem como a capacitação de professores, diretores, coordenadores e demais funcionários das escolas sobre a temática de violência doméstica Câmara dos Deputados.

Fortalecimento da Rede de Proteção

É fundamental trabalhar com as polícias protocolos, treinamentos e práticas voltadas à proteção de meninas e meninos UNICEF.

É preciso produzir conhecimento sobre as interseções entre a violência doméstica contra mulheres e contra crianças, incluindo o impacto da violência doméstica contra mulheres no desenvolvimento de crianças e adolescentes. Assim, será possível adotar políticas que integrem essas perspectivas para mudar comportamentos e prevenir e responder a casos de violência UNICEF.

Desconstrução de Normas Prejudiciais de Gênero

É preciso desconstruir padrões restritivos de gênero que fazem com que meninos sejam socializados a reproduzirem práticas violentas e meninas sejam socializadas em um contexto de objetificação e desigualdade de poder. Serviços que atuam com crianças e adolescentes e famílias, como escolas, têm papel fundamental para isso UNICEF.

Participação de Crianças e Adolescentes

Promover a participação ativa de crianças e adolescentes pela defesa de seus direitos na elaboração e execução de políticas de proteção na área de enfrentamento à exploração sexual GOV.BR é fundamental para garantir que as políticas públicas atendam às reais necessidades deste público.


Organizações Que Fazem a Diferença

UNICEF

Trabalha para que todas as crianças e todos os adolescentes estejam protegidos contra qualquer forma de violência UNICEF, atuando em parceria com governos e sociedade civil para fortalecer sistemas de proteção.

Plan International Brasil

Organização humanitária que atua há mais de 25 anos no país para romper ciclos de violências contra meninas e mulheres Plan, desenvolvendo projetos de:

  • Autoproteção infantil
  • Educação sexual e reprodutiva
  • Fortalecimento de vínculos familiares
  • Formação de profissionais do Sistema de Garantia de Direitos

Childhood Brasil

Referência no enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes, atuando na articulação de políticas públicas e desenvolvimento de metodologias de proteção.

CEDECA (Centros de Defesa da Criança e do Adolescente)

Presentes em diversos estados, oferecem:

  • Atendimento jurídico especializado
  • Acompanhamento psicossocial
  • Advocacy e incidência política
  • Educação em direitos humanos

Coalizão Brasileira pelo Fim da Violência contra Crianças e Adolescentes

Rede que articula organizações da sociedade civil, órgãos governamentais e organismos internacionais para fortalecer políticas de proteção.


Plano Nacional de Enfrentamento

O Decreto nº 10.701, de 17 de maio de 2021, instituiu o Programa Nacional de Enfrentamento da Violência contra Crianças e Adolescentes GOV.BR, estabelecendo diretrizes para uma atuação coordenada em todo o território nacional.

Eixos do Plano Nacional:

  • Revisão e atualização do marco normativo
  • Garantia de acesso à justiça e proteção legal
  • Disponibilização de serviços de notificação e responsabilização
  • Investigação efetiva dos casos e combate à impunidade
  • Fortalecimento das articulações nacionais, regionais e locais
  • Produção de conhecimento através de estudos e pesquisas
  • Desenvolvimento de políticas integradas e intersetoriais

Como Identificar e Agir

Sinais de Alerta: O Que Observar

Indicadores físicos:

  • Hematomas, queimaduras, fraturas sem explicação consistente
  • Lesões genitais ou anais
  • Presença de doenças sexualmente transmissíveis
  • Dificuldade inexplicável para andar ou sentar
  • Negligência com higiene e cuidados básicos

Mudanças comportamentais:

  • Alterações bruscas de comportamento ou humor
  • Medo excessivo de determinadas pessoas ou lugares
  • Isolamento social repentino
  • Regressão em marcos de desenvolvimento já alcançados
  • Conhecimento sexual inadequado para a idade
  • Comportamento sexualizado precoce
  • Sinais de depressão, ansiedade ou ideação suicida

Sinais emocionais:

  • Baixa autoestima persistente
  • Vergonha ou culpa excessivas
  • Dificuldade de estabelecer vínculos de confiança
  • Pesadelos frequentes ou distúrbios do sono

Protocolo de Ação ao Suspeitar de Violência

  1. Não confronte o possível agressor – isso pode colocar a vítima em maior risco
  2. Acolha a criança/adolescente com escuta ativa e sem julgamentos
  3. Não culpabilize ou questione excessivamente a vítima
  4. Denuncie imediatamente através dos canais oficiais
  5. Documente informações relevantes sem expor a vítima a mais trauma
  6. Busque apoio de profissionais especializados
  7. Acompanhe o desdobramento da denúncia sempre que possível

Responsabilidade Legal e Moral

É crime deixar de comunicar autoridade pública a prática de violência, de tratamento cruel ou degradante ou de formas violentas de educação, correção ou disciplina contra criança ou adolescente ou o abandono de incapaz Planalto.

“Não podemos mais aceitar que o abuso e a exploração sexual sejam ignorados ou naturalizados. Cada caso não denunciado perpetua uma rede de violência invisível. Precisamos agir com firmeza, empatia e responsabilidade. Proteger nossas crianças é um dever de todos: governos, escolas, famílias, setor privado e organizações da sociedade civil” Plan, declara Cynthia Betti, CEO da Plan International Brasil.


Chamado à Ação: O Momento É Agora

Os dados apresentados nesta matéria não são apenas estatísticas – cada número representa uma vida marcada por violência, uma infância roubada, um futuro comprometido. São meninas e adolescentes que deveriam estar brincando, estudando, sonhando, mas que carregam traumas profundos causados por aqueles que deveriam protegê-las.

Promover mobilizações constantes é essencial porque:

  • Salva vidas e previne traumas irreparáveis
  • Rompe ciclos intergeracionais de violência
  • Educa novas gerações para o respeito e a proteção
  • Transforma culturas nocivas enraizadas na sociedade
  • Pressiona por políticas públicas adequadas e efetivas
  • Fortalece redes de proteção em todo o território
  • Dá voz e visibilidade às vítimas silenciadas
  • Responsabiliza agressores e impede a impunidade

Não podemos aceitar que mais uma menina seja violentada. Não podemos tolerar que mais um caso de violência doméstica seja silenciado. A hora de agir é agora.

Cada denúncia importa. Cada conversa sobre o tema importa. Cada compartilhamento de informação salva vidas. Cada mobilização fortalece a rede de proteção.

Porque enquanto houver uma única criança ou adolescente sofrendo violência em silêncio, toda a sociedade estará falhando em sua missão mais fundamental: proteger quem mais precisa.


Junte-se a Nós

A proteção de crianças e adolescentes é responsabilidade de toda a sociedade.

Se você presenciar, suspeitar ou tiver conhecimento de qualquer forma de violência contra crianças e adolescentes:

DENUNCIE

Disque 100
Funciona 24 horas, 7 dias por semana
Gratuito e anônimo
WhatsApp: (61) 99611-0100

Conselho Tutelar
Presente em seu município

Delegacia Especializada
Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente


Participe das mobilizações em sua comunidade.
Eduque-se e eduque outros sobre direitos de crianças e adolescentes.
Seja a pessoa que ouve, acolhe e denuncia.

Juntos, podemos quebrar o ciclo da violência e construir um futuro onde todas as crianças e adolescentes cresçam livres de violações, em ambientes seguros e acolhedores.


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