O Cedeca Maria dos Anjos realizou uma intervenção técnica para assegurar que o VII Concurso para Defensor Público do Estado de Mato Grosso promova inclusão verdadeira, respeito à diversidade e acolhimento digno a todos os candidatos.

A organização protocolou um pedido de retificação e aperfeiçoamento do Edital nº 01/2025, identificando barreiras que poderiam excluir pessoas com deficiência, revitimizar pessoas trans e dificultar a participação de mães lactantes.

 

Por que o Cedeca contestou o edital?

Embora o concurso apresente iniciativas de ação afirmativa, a análise do CEDECA apontou pontos críticos que contrariam princípios da Lei Brasileira de Inclusão e normas internacionais de direitos humanos.

  1. Inclusão da Pessoa com Deficiência

A avaliação proposta no edital prioriza o modelo médico da deficiência, deixando em segundo plano o modelo biopsicossocial — referência legal no Brasil.
Além disso, há cláusulas que permitem a exoneração de candidatos com deficiência sem que o Estado assegure previamente adaptações razoáveis no ambiente de trabalho. Isso viola o direito à acessibilidade plena e a garantia de permanência no serviço público.

  1. Direito à Amamentação e à Participação das Mães

O Cedeca identificou que as regras impostas às mães lactantes colocam sobre elas todo o ônus do cuidado, exigindo um acompanhante adulto para ficar com o bebê durante a prova.
Essa exigência exclui mães solo e mulheres sem rede de apoio, restringindo tanto o direito da mulher ao acesso a cargos públicos quanto o direito da criança à amamentação.

  1. Respeito à Dignidade das Pessoas Trans

O edital condiciona o acesso à cota para pessoas trans a descrições de episódios de transfobia e exclusão. Para o Cedeca, isso representa revitimização, submetendo candidatos à exposição de traumas para que tenham sua identidade reconhecida.
A organização defende que a autodeclaração, aliada à vivência social, deve ser suficiente para garantir acesso às políticas afirmativas.

 

Por que essa atuação é importante para garantir direitos?

A ação do CEDECA MARIA DOS ANJOS  reforça o papel essencial da sociedade civil na defesa dos direitos humanos e no controle democrático das instituições.
Agir preventivamente — monitorando editais, regulamentações e processos seletivos — evita que normas burocráticas se tornem mecanismos de exclusão.
Garantir que concursos públicos sejam acessíveis, justos e humanizados significa:

* assegurar que políticas afirmativas sejam efetivas e não apenas formais;

* promover igualdade de oportunidades para grupos historicamente excluídos;

* garantir que o Estado cumpra seu dever constitucional de inclusão e proteção;

* fortalecer a Defensoria Pública, instituição que deve ser referência no acolhimento das diversidades.

Quando uma organização questiona cláusulas indevidas, ela não cria obstáculos — ela abre portas para que mais pessoas tenham sua dignidade respeitada desde o início do processo seletivo.

 

Compromisso contínuo com a inclusão

O CEDECA aguarda a abertura de diálogo com a Comissão do Concurso para avançar nas melhorias propostas. A intenção é assegurar que a porta de entrada da Defensoria Pública reflita os valores que sustentam sua missão: acolhimento, respeito e promoção da justiça social.

 

Sobre o CEDECA Maria dos Anjos

O CEDECA Maria dos Anjos é uma organização da sociedade civil comprometida com a defesa intransigente dos direitos humanos de crianças, adolescentes e jovens.
Por meio de incidência política, assessoria jurídica popular e formação, atua para garantir que o Estado cumpra seu dever de assegurar proteção integral, igualdade de oportunidades e inclusão.

 

TEXTO POR: ALEXA SOUZA